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Leozito Rocha

Entrevista com Mauk e seu universo musical que precisamos descobrir

Maurício Garcia
Maurício Garcia

Salve, salve moçada! Quem vos escreve é Leozito Rocha. É um prazer enorme inaugurar esse espaço (também chamado de coluna) aqui na Plainsong. Agradeço ao Armando Louder pelo convite e por confiança, claro. Para quem não me conhece sou apresentador e produtor na Internova Radio (www.internovaradio.com.br) – uma webradio das boas – e comando “O Som do Leozito” toda segunda-feira, às 22 horas na rádio. Além disso mantenho um blog cultural há vinte anos (acho que essa informação cronológica não é boa…rs) e produzo festas também. Bom, tudo isso posto e apresentado, espero mexer e provocar o leitor aqui sempre que possível. E, para primeiro papo quero voltar aos anos 90, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro. Falar do som que acontecia na cidade, ex-capital brasileira até os anos 60 do século passado.

O mundo conheceria de perto o grunge, o hip hop e a cena eletrônica na virada das décadas 80 e 90. No Brasil, a MTV inauguraria um novo formato e uma demanda que nem ela nem os produtores sabiam. Praticamente todos envolvidos com música tiveram que aprender empiricamente o processo. Na cidade do Rio de Janeiro, apesar do calor, do caos, das praias e blábláblá haviam uma rapaziada com afã de rock. De muitas guitarras, ruídos, energia e atitude. Documentários como o “Time Will Burn” de Marko Panayotis e Otavio Sousa e o “Guitar Days” de Caio Augusto Braga tocam justamente no ponto. Ambos têm um alcance nacional envolvendo bandas como Pin Ups, Killing Chainsaw, Wry e as bandas cariocas Second Come, The Cigarettes, PELVs, Big Trep, The John Candy etc… Recomendo aos leitores para que vejam esses documentários, inclusive. Um dos envolvidos nessa cena toda atende pelo nome de Maurício Garcia, o velho Mauk, aqui pros cariocas. Ele foi integrante de boa parte das bandas cariocas dessa época como até hoje vive como músico e segue ativo na cena do Rio. O músico concedeu uma entrevista de inauguração para Plainsong.

Maurício Garcia, flamenguista, músico e carioca

1) Como foi esse contato inicial com música?

MG: Eu me liguei a música desde cedo. Meu irmão mais velho, que viria a ser o vocalista da A Grande Trepada (Big Trep) já vinha escutando músicas e em 1975 nosso pai nos presenteou com as coletâneas Vermelha e Azul dos Beatles e eu pirei com o Fabfour. Completei a discografia aos 10 anos. Também via os filmes na sessão da tarde dos anos 60 e 50 que passavam. Meu irmão Léo, que é 6 anos mais velho, já trazia as novidades daquela época 76, 77. Víamos os programas e tinha a revista POP que ele comprava, mas eu basicamente absorvia Led Zepellin, Humble Pie, Santana, AC/DC e outros… Mais adiante em 79, 80 Clash, Jam, The (English) Beat, Damned pelos discos e fitas que ele trazia. Foi uma infância normal apesar dos anos de chumbo…

2) De quais bandas participou e influências (suas)?

MG: Desde 1986 toco na A Grande Trepada (Big Trep) – som rockbilly, psycho, garage punk e tal. Além disso toquei em diversas bandas. Toquei em bandas como “Ricardo E Os Caras que Não Tem Amigos”, “Os Esquizóides”, “Lunik 9”, “Mauk & Os Cadillacs Malditos”, “Second Come”, “Estranhos Românticos” e “The Dead Suns”. Tive como parceiros nessas bandas pessoas como DJ Edinho, Fernando Kamanche, Francisco Kraus, Bacalhau, Gilbert T, Edu Garcia, Robson Riva, Lorenzo Monteiro, Ricardo Nery, Pedro Serra, etc…

3) Shows Importantes (seus).

MG: A Grande Trepada nos festivais como Psycho Carnival, Psychobilly Fest, BA STOMP (Argentina), no Bananada, Rio Billy Fest, Psycho Attack over BH & 1º Campeonato Mineiro de Surf foi bem legal, tocar com Restless, Slim Jim Phantom, Meteors, Batmobile, Misfis… Cara, na verdade eu adoro tocar ao vivo e é difícil dizer o melhor. O último show que fiz foi a Live com o The Dead Suns no Caxias Music Festival e foi muito bacana…Fiz ótimos shows em Juiz de Fora no Muzik café, no Rock`n`Billy no bar da Fábrica em BH na A Obra que considero minha casa… Hehehe… Em Sampa em tantos lugares nesses quase 40 anos os vários shows…

4) Como você vê e viu as mudanças tecnológicas em termos de gravações e produções na música?

MG: Acho que deu acesso aos artistas de registrar suas canções com mais facilidade e qualidade, agora depende do esforço e da dedicação do mesmo à obra e o planejamento que irá fazer pra coloca-la, como se dizia na rua …

5) Como enxergas a cultura daqui pra frente? Achas que os shows voltarão?

MG: A cultura ferve e nunca descansa e acho que nos proporcionará sempre coisas boas, nos surpreendendo e colocando adrenalina e sorrisos nos nossos corpos e mentes. Já a vida cultural nas apresentações, festas, festivais etc e tal, espero que voltem, mas penso que pelo menos para aqueles que assim como eu temem pelas próprias vidas e assistiram o abandono da saúde pública nestes tempos sombrios será um retorno traumático e feliz, receoso e com muitos pés e mãos atrás, mas com certeza irá ocorrer. Nada será como antes já dizia canção.

6) Deixe umas dicas de bandas e artistas novos para o público

MG: Tenho dicas, se você não conhece serão novas … Hahaha… Modulares, Asteróides Trio, O Grito, Dissonantes, Gilber T, Terceiro Mundo Bom, Tripa Seca, Eletric Vesúvio, Albaca, Panço, Barba Ruiva, Grecco, Latexxx, Lava Divers, Echo Upstairs, O Branco & O Índio, Guga Bruno, Homobon, Os Vulcânicos, Astro Venga, Reverendo Frankestein, Spaitfire Demons, The Targets, Luiz Lopes, Fuck Youth, Blastfemme, Melvin & Os Inoxidáveis, Katina Surf, Banda Gente…

7) O que vem por aí de Maurício Garcia?

MG: Pretendo gravar as músicas que compus durante a pandemia e lança-las …Tomar a vacina, encontrar os amigos abraçar, tocar, beijar e comemorar a vida e o fim desse desgoverno, o “fora Bolsonaro” e a queda de todo esse negacionismo e obscurantismo que ocupou o céu e tapou o sol e quis matar a esperança e a felicidade de todos nós.

Maravilha! Agradeço demais ao Maurício Garcia, que como você pôde observar, participou e segue contribuindo muito para cultura da cidade. Uma coisa que eu gostaria de mencionar aqui são alguns agentes e espaço aonde quem curte explorar novas sonoridades e arte em geral irá fartar-se. O Pedro Serra (parceiro de Maurício tb e músico) tem uma playlist chamada “Rockarioca” no Spotify. Dali surgem inúmeros novos trabalhos de bandas e artistas cariocas todos os dias.
Muitos mencionado pelo Mauk na entrevista. Outros que estão surgindo. Além disso ele resgata sonoridades variadas também. Muito Legal. A outra dica que gostaria de deixar são as webradios espalhadas na rede. Explore-as. São verdadeiras curadorias sem nenhum rabo preso ou conchavo financeiro. Tudo em nome dos bons sons e da música em geral. Nesse aspecto deixo (abaixo também) o link da Internova Radio, web que trampo e tenho meu programa. A rádio cumpre esse papel de forma belíssima. Posso garantir a todos que ali a programação abrange os diversos gêneros e estimula os artistas brasileiros. Do pop ao clássico. Sem distinção.

Maurício Garcia

Maurício Garcia

Second Come

Second Come

The Dead Suns

The Dead Suns

Estranhos Românticos

Estranhos Românticos

Leozito, Pedro e Mauk

Leozito, Pedro e Mauk

Queridões e queridonas: é isso! A gente se vê na próxima coluna! Yeah.

Redes Maurício Garcia

https://maukeoscadillacsmalditos.bandcamp.com|
https://bigtrep.bandcamp.com
https://thedeadsuns.bandcamp.com

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Rockarioca no Spotify
https://linktr.ee/rockarioca
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Leozito

Internova Radio
www.internovaradio.com.br

Blog Leozito (Léo Rocha)
www.chehebe.blogspot.com

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Written By

Leozito Rocha, carioca, 45 anos, Flamenguista, carioca, editor e produtor do "O Som do Leozito" na Internova Radio, blogueiro, escritor e redator. Fundador da Noramusique e colaborador DJ.

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