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Wagner Ribeiro

Like What, um iPad, uma guitarra e muita criatividade: quando as limitações se tornam vantagens em uma séria filosofia de “Faça Você Mesmo”.

Com sede em Nova York, com gravações ocasionais em sofás, aviões e camas aleatórios em todo o mundo. Limitações inspiram.
Numa conversa muito agradável e sem formalismos, Like What (sim, trata-se de uma persona identificada apenas pelo próprio nome do projeto em si) falou com a Plainsong sobre a natureza do trabalho e sua relação com a música de uma forma geral.

Primeiramente, parabéns pelo excelente trabalho. É muito impressionante o que você criou, especialmente considerando ter feito tudo por conta própria.

Muito obrigado. Significa muito, especialmente quando vem de um companheiro da música. Sim, eu dei uma olhada sobre você antes de conversarmos…

Obrigado. Então, fale-nos um pouco sobre o seu background. Como tudo começou e tem sido até agora? Tem curtido a viagem?

Eu tenho trabalhado em algumas canções por algum tempo, mas a pandemia veio e minha vida virou de cabeça para baixo durante a quarentena e passei a ter muito tempo livre de repente. Música era realmente uma das coisas que me mantinha ocupado e são. Eu peguei algumas demos e decidi finalizar a produção.

Esta é a primeira vez que publiquei uma canção, estou nervoso e empolgado ao mesmo tempo. Mas tenho que dizer, as primeiras semanas estão realmente além das minhas expectativas e eu aprendi muito.

O que te motiva a realizar este trabalho sozinho? Foi uma escolha ou a única forma possível, por enquanto? E você pensa que isso possa mudar no futuro ou prefere continuar exatamente da maneira como está?

2020 tem sido difícil para todos nós e de fato não vejo qualquer mudança para breve. Por ora, Like What permanece como um projeto feito no quarto. Veremos como será 2021. Dedos cruzados.

Ainda sobre seu processo criativo, você disse na descrição do projeto que tudo foi feito utilizando um iPad e uma guitarra, e que as gravações ocorreram em uma série de lugares improváveis, incluindo sofás, aviões e camas – o que é bem louco, mas muito curioso e louvável. O quão desafiante é isso? É divertido ou você preferiria estar em um estúdio caro cercado por todo tipo de equipamento?

Eu usei o tablet como um livro de rascunhos para música durante muito tempo. Principalmente para registro rápido das ideias. Eu sempre planejei mudar para algo mais “sério”, aprender um programa mais profissional, DAW* (Digital Audio Workstation – ambiente virtual onde as músicas são gravadas e trabalhadas), montar um estúdio melhor em casa… mas eu continuava voltando ao iPad. Eu posso levá-lo a qualquer lugar, uma guitarra e outros instrumentos não são tão portáteis. Então, estou meio que preso a isso.

Enquanto isso soa como uma grande limitação, também pode ser utilizado em qualquer lugar. “Dark is the Night” de fato nasceu num voo de Budapeste para Nova Iorque. Sem guitarra, sem bateria? Havia instrumentos na tela para tocar. A linha podia ser finalizada com uma guitarra de verdade depois, mas o processo criativo não foi interrompido por não haver algo disponível. Essa é a grande vantagem.

Guitarra é meu primeiro instrumento, eu toquei nas aulas de música da escola e em algumas bandas cover… sempre será meu instrumento favorito. Teclado entrou em cena bem recentemente. E quando me vi criando músicas por conta própria, fiquei apaixonado pela sua versatilidade. Estou muito longe de ser um tecladista, trabalho muito com edição MIDI* (protocolo digital para notação e composição musical). O conceito era misturar teclados e guitarra ao som final. Algumas canções são mais enfáticas aos sintetizadores e outras às guitarras. Tento equilibrar.

Alguns letristas são muito confessionais sobre seus sentimentos. Então, a respeito da letra de “Dark is the Night”, há algo pessoal em termos de estado emocional ou é apenas poesia cercada por música?

Meus letristas favoritos escrevem em sua maioria sobre suas próprias emoções: Kurt Cobain dos Nirvana, Robert Smith dos Cure, Ian Curtis dos Joy Division… Eu escrevo um pouco diferentemente, minhas letras são baseadas em filmes – na maioria horror ou noir* (filmes de cunho policial/investigativo com estética soturna e em preto e branco). Esses são filmes com imagens fortes, os quais podem desencadear uma série de emoções. Eu tento ilustrar estas cenas em poucas palavras e deixar a música fazer o resto.

Você vive em Nova Iorque, que é uma cidade muito importante na indústria musical, com um número imenso de artistas surgindo a cada ano. Como você percebe a cena local para artistas como você?

Tenho vivido nos Estados Unidos por 6 anos, inicialmente em Chicago e agora em Nova Iorque. Ambas as cidades têm cenas musicais incríveis. Chicago tem o blues, Nova Iorque é um amálgama de todo tipo de música: punk, rock, jazz, hip-hop… Diz um nome, Nova Iorque tem.

A cidade é cheia de grandes músicos em todos os níveis. Uma das minhas primeiras bandas tinha um estúdio de ensaios no Music Building, nós tocávamos entre as mesmas paredes onde tocaram Madonna, Billy Idol, The Strokes… Consegue imaginar o quão motivador é isso para um grupo de músicos amadores? Até mesmo um prédio decadente parece um templo sagrado do rock and roll.

Existe alguma colaboração entre artistas e produtores para aumentar o número de oportunidades para criadores de música underground? Há portas abertas para todos?

Eu encontrei pessoas realmente incríveis tocando e ouvindo música tanto em Chicago quanto em Nova Iorque. Se conversássemos um ano atrás, eu responderia a esta pergunta de forma diferente, mas em 2020 é mais complicado. A música ao vivo está praticamente suspensa. Mas há vídeos de quarentena, álbuns de quarentena surgindo frequentemente, músicos tentando se mover para o mundo on-line… Atualmente não está fácil e todos estão buscando encontrar soluções.

Em muitos casos, a parte mais difícil de fazer música autoral é encontrar pessoas e unir uma base de fãs. Como é a recepção das pessoas à sua música? Você já recebe algum retorno do seu público?

“Dark is the Night” foi a primeira canção que publiquei muito recentemente, então não tenho muita experiência. Eu apenas ingenuamente coloquei o som para fora e pensei nas promoções depois. Bem amador, né? Eu sei… Mas como você disse antes, é uma viagem e eu estou apenas tentando aproveitar, aprendendo na prática, passo a passo.

Eu sei que este tipo de música não é mainstream e eu defini minhas expectativas de acordo. Mas a recepção está além do que eu esperava. O bom de começar aos poucos é que a conexão com os ouvintes é muito direta. Depois dos primeiros dias, eu procurei um pessoal que começou a me seguir nas redes sociais e perguntei a eles como me encontraram, o que acharam da canção, como é a cena local nas suas cidades… nós até mesmo trocamos algumas recomendações musicais de nossos países. Senti como se eu estivesse conversando sobre música com amigos num rolê. É realmente sensacional.

É uma pergunta muito clichê, mas… Quais são suas influências? E o que você tem ouvido ultimamente?

Tenho ouvido diferentes tipos de música, mas minhas maiores influnências são Depeche Mode, The Cure, Joy Division… Mas há muitas grandes bandas no cenário post-punk atual: The Foreign Resort, todos os projetos dos Hante, Ash Code, Diary of Dreams, She Past Away, Buzz Kull… muito boa música por aí afora.

Recentemente, você disponibilizou sua canção “Dark is the Night” na Plainsong, que é uma plataforma brasileira dedicada à música underground. Então, você conhece e ouve muitos projetos brasileiros ou mesmo interage com eles?

O Brasil é muito interessante, essa é a melhor experiência da minha jornada musical até agora! Desde o início, ouvintes do Brasil foram grande parte do meu público. Digo, muito grande… quase metade das pessoas ouvindo Like What são do Brasil. E eu não faço ideia do porquê esta música ressoa tão bem entre os amantes de música no Brasil, o que é muito especial sobre a canção ou o público ou apenas a conexão entre eles… Eu realmente não faço ideia, mas estou pasmo.

Um amigo sugeriu promover minha música localmente para “ganhar em casa” – e eu absolutamente adorei a ideia! Mas, então, eu perguntei a mim mesmo: o que é casa de verdade? Nem sempre é simples para uma pessoa: é o local de nascimento ou a cidade onde atualmente vive? E para a música? É Nova Iorque, onde gravei a canção? Ou no Brasil, onde está a maioria dos ouvintes?

Então eu desisti de tentar encontrar os motivos, simplesmente abracei a causa. Se essa galera no Brasil gosta da minha música, é melhor estar perto dela fazer parte dessa comunidade musical. Eu fiquei muito animado de me juntar à Plainsong, estas iniciativas são realmente ótimas para músicos independentes. Isso pode despertar ideias, estimular colaborações e ajudar a alcançar um público receptivo.

Estou muito curioso se esta conexão especial com o Brasil é apenas por causa desta canção em particular ou se os próximos lançamentos confirmarão o mesmo.

Bem, o nosso tempo está acabando. Então, antes de terminarmos, o que você gostaria de dizer às pessoas que apreciam o seu trabalho e o que elas podem esperar de Like What num futuro próximo?

Obrigado pela atenção e fiquem de olho nos próximos lançamentos: o segundo single será lançado no dia 17 de outubro, seguido de um EP no final do ano.


Ouça Like What na Plainsong

Dark is the Night

 

Muito obrigado!

O prazer foi meu!

English Version
https://blog.plainsong.io/like-what-an-ipad-a-guitar-and-lots-of-creativity-when-limitations-become-advantages-in-a-very-diy-philosophy/

Written By

Wagner Ribeiro é músico, produtor e único membro na banda InAd MemoriaM. Também é um entusiasta da cena post-punk mundial em diferentes comunidades internacionais e curador na plataforma Plainsong.io.

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