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Leozito Rocha

O alcance da ARTE nas Redes Sociais

O Alcance da ARTE

A coluna quer trazer à luz um assunto relevante nesses tempos cibernéticos e efêmeros. O tal do alcance orgânico. Desde a criação da maioria das ferramentas de internet que o ouro é conseguir seduzir, alcançar, influenciar, fazer-se notar de alguma forma. Atingir o maior número de pessoas sempre foi objetivo de empresas e pessoas físicas. Não importa se você vende um produto ou serviço. O mesmo acontece na arte. Músicos, escritores, pintores, produtores, etc, desejam que sua arte passe a ser notada, visualizada, tocada e atingida por um número maior de pessoas. Salvo se a meta do mesmo seja permanecer invisível (e underground) por aí. De qualquer modo, essa maneira é muito complexa.

Posso afirmar que, de quinze anos pra cá, diversas ferramentas foram criadas para tal. E, toda essa criatividade resultou na diminuição ou quase nulidade do alcance natural. Ou seja: o alcance de forma espontânea, sem anúncio, promoção, pagamento de impulsionamento, e tal. Se você não for uma pessoa famosa (entende-se por famoso alguém reconhecidamente público que expressivamente atinja números titânicos em sua rede por postagens) ou relevante na sociedade que vive dificilmente conseguirá tocar e ser percebido por uma massa ou um público.

De fato: divulgar e começar sua arte sempre foi um problema desde que o mundo é mundo, não? No mercado artístico-cultural isso geralmente ficou a cargo de gerentes, produtores, gravadoras, publicitários e tal. O segredo era a tal propaganda. Porém, quero direcionar a discussão e reduzir ao novo milênio e ao mundo já com internet e rede sociais. Como artistas, hoje em dia, fazem para divulgar, promover e viver de sua arte? Quais são os meios (além de shows e lives) que temos para alcançar um público maior?

A coluna convidou alguns músicos, produtores, cartunistas para explicar e participar do debate com opiniões, dicas e sugestões. Será que você sabe o “pulo do gato” nesses idos tempos? Pois é…


Mário Mamede, músico (Herzegovina/Seashore Darkcave /Moptop)

“… O alcance orgânico está praticamente morto e o algoritmo é quem manda, ou seja, piorou. O que tenho feito é divulgar nas redes e blogs o conteúdo. Busco sair das redes sociais de sempre. Ah… Uso Reddit quando lembro.

Minha dica é: saia do lugar comum e permita-se experimentar novas maneiras de divulgar seu trabalho …”

LINK: 
Herzegovina
https://plainsong.io/artist/15/herzegovina
Seashore Darkcave
https://plainsong.io/artist/126/seashore-darkcave

Armando Louder, músico, produtor e editor (CEO Plainsong/Caxias Music Festival/LOUDER.ink)

Uma coisa frequentemente criticada sobre os serviços de streaming é a dificuldade de fazer com que os fãs de música se interessem por mais do que apenas uma música – fazer com que o público invista na sua personalidade e em seu mundo, pode ser muito complicado para alguns.

“Então, que tal contar uma história, em vez de apresentar diretamente. Quando aplicada à música, a narração de histórias é uma ótima ferramenta para se destacar”

Até onde pode ir o seu potencial criativo? Esses são os elementos que podem atrair fãs. 

Envolver o público em seu projeto musical é o passo mais difícil. O que você deve ter em mente é que seu mundo é tão importante quanto sua música. A arte e o poder de contar histórias envolvem imergir seus fãs, tocá-los emocionalmente ou envolvê-los na aventura que você decidiu contar.

NÃO CRIE EXPECTATIVAS EM VIEWS: Elabore seu mundo musical como um filme ou romance com várias centenas de páginas. Como músico, cada ação que você realiza é uma chance de levar sua história adiante e fazer conexões adicionais com seu público. Cada show que você faz, cada vídeo que você cria, cada nova música que você lança, cada informativo que você envia, cada artigo que é escrito sobre o seu projeto é parte da sua história. E essa história estimula a imaginação e a paixão e cria um senso de comunidade entre você e seus fãs.

O desafio é, portanto, saber fazer malabarismos entre essas diferentes plataformas, pois sua história pode assumir muitas formas. Alguns podem ser lidos, assistidos e outros ouvidos. O meio de comunicação que você escolher depende essencialmente de como você deseja se expressar.

“Se você optar por incorporar cultura em sua identidade musical, isso pode trazer um público solidário diretamente para você.”

LINK: 
https://plainsong.io/
https://louder.ink

Renato Lima, ilustrador e cartunista (College Party/Pocktes & Comics)

“… O alcance mudou junto com a presença das empresas e o crescimento das redes sociais mais populares (por conta do acesso com celulares e não apenas através dos computadores). 

Eu, como bom representante da geração X, demorei a entrar no FB. Só ingressei, principalmente, para lançar o meu trabalho de quadrinhos (as Pockets Comics).

Mesmo assim, ao ceder no final de 2012, o alcance das postagens ainda era bastante orgânico. Me orgulhava em dizer que não pagava para ter, em média, 5 mil curtidas por postagem. Tiveram histórias de bolso (Pockets) que alcançaram mais de um milhão de views por conta dos compartilhamentos de pessoas e páginas mais conhecidas. Era um alcance que acontecia em progressão geométrica. Hoje, mesmo pagando, o alcance girará em torno de 100 mil views, com sorte, dependendo do tema em questão. Mesmo assim, esse alcance está anos luz à frente de qualquer quadrinho que eu tenha feito impresso.

Eu entendo que a rede social não é algo democrático ou filantrópico. É um serviço de uma empresa que, agora que já conquistou um público gigantesco, decide cobrar para que as pessoas possam ser vistas, lidas, comentadas por esse público que está lá. O que faz com que empresas sejam mais vistas do que quem gera algum conteúdo, atualmente.

Além disso, como é um ambiente comercial, as redes sociais possuem regras que são um tanto hipócritas (com relação as postagens artísticas e políticas) além de todo o problema com relação à censura sobre o que está sendo divulgado e o que é deletado. O jornalista Paulo Ramos está organizando um livro sobre o assunto, aliás …”

“… Com a entrada do DJ Mario Gennari nas festas alternativas produzidas pela College, resolvemos movimentar mais a página que já existia da festa (que já existia antes da minha entrada no FB, lembrem que sou da Geração X. A página foi criada pelos DJs mais “xóvens” da festa). A solução foi investir na divulgação de cada festa (presencial) dentro de um orçamento que estivesse ao nosso alcance. A princípio deu muito certo: a página triplicou os seguidores em um ano, os eventos e filipetas virtuais eram vistos e comentados por gente de todo Brasil.

Mas, como o DJ Abrahin comentou recentemente, o raciocínio da rede social lembra o de um “dealer” das ruas: você passa a pagar mais para ter alguma divulgação e ela passa a ter menos efeito.

Agora, com as festas virtuais, seguimos mantendo o esquema de divulgação, mas dentro de um valor que não comprometa o objetivo principal da festa on line, que é reverter a renda arrecadada para ajudar outros profissionais. Mesmo com o alcance reduzido (tem mais gente nas redes e mais concorrência para ser visto), alcançamos um bom público em 2020, principalmente de outros Estados.

Infelizmente, não existe outra solução que não seja investir $$ (que for possível) nas postagens. Entender o gosto e interesse do seu público alvo. Entender a dinâmica de cada rede social, o que postar e como postar. E gerar conteúdo relevante, antes de tudo. Embora documentários como Fake Famous (HBO) exponham que basta ter capital para se tornar uma “celebridade” na rede, ainda é o conteúdo que fará a diferença, que permitirá que um post de 4/ 5 anos atrás ainda seja compartilhado até hoje, como acontece volta e meia com as Pockets Comics. Como ferramenta, não ouso demonizar as redes. Posso criticar apenas o que ela é hoje e o que ela poderia ser …”

LINKS
https://www.facebook.com/renato.lima.5667


Diego de Oliveira, Produtor, músico (Cübus / CEO Paranoia Musique)

“… Um problema que muitos artistas enfrentam são as constantes mudanças nas regras das redes sociais. É evidente que o alcance orgânico vem caindo, seja para incentivar os anúncios pagos, seja para privilegiar certo tipo de conteúdo. Para poder aparecer para uma nova audiência ou continuar sendo lembrado pelos que já nos conhecem, precisamos acompanhar essas tendências.

Um recurso que eu venho usando bastante nos últimos tempos é postar muitos vídeos. As pessoas acessam as redes sociais atrás de entretenimento ou informação e não querem ser inundadas com propaganda. O que prende a atenção das pessoas são as histórias, ou seja, mostrar quem você é, seus gostos e o que você vem produzindo. Postar suas músicas, participar de entrevistas ou gravar vídeos sobre bastidores é algo que muita gente curte e muito mais eficiente que postar flyers, por exemplo. Quer falar sobre seu show? Ok, pode postar o flyer, mas faz também um vídeo no “reels” falando como o evento será legal, chamando as pessoas …”

“… Muita gente reclama que as redes sociais criaram ferramentas para privilegiar meninas bonitas e suas danças. Tudo bem, isso é verdade, mas podemos nos valer dessas mesmas ferramentas para mostrar nosso trabalho: live sessions, bate papo entre artistas no stories ou que mais der na telha. Além disso, manter uma certa constância nas postagens é muito importante. Não adianta postar 3 vídeos numa mesma semana e depois sumir por meses. Nós gostamos mais daqueles canais ou pessoas que nunca nos abandonam e estão sempre trazendo alguma novidade …”

LINK:
https://plainsong.io/artist/71/cubus
https://paranoiamusique.bandcamp.com/


Al Vavallo, músico e produtor ( Cum Mortuis, Back Long Arch )

“… Já faz um bom tempo que o youtube passou a praticar políticas cada vez mais restritivas ao acesso orgânico. Eu consegui perceber melhor foi o bloqueio de análise das estatísticas pelo youtube, que já em 2018 bloqueou o acesso grátis à estatística sobre a origem dos acessos e as palavras chave utilizadas na busca orgânica. O que eu tentei fazer foi me valer dos canais de apoiadores para obter acessos, e nisso, pude perceber um grande afluxo de acessos vindo de playlists de fãs e parceiros, e também o acesso vindo do facebook para o youtube. No entanto eu não sou um publicador contumaz, divulgo pouco meus conteúdos devido a questões que envolveram o fim da minha banda mais conhecida, o Back Long Arch. Minha sugestão é utilizar a comunidade da plainsong para divulgar o trabalho dos demais artistas, com playlists. Se cada músico tiver uma playlist com os demais músicos do casting, certamente viabiliza muitos acessos grátis. Para quem tiver conteúdos monetizados, acredito que aumenta ainda mais a visibilidade. O que não sabemos é quanto tempo essa ação pode durar, pois está claro que as redes, especialmente facebook e youtube, monitoram fortemente práticas que possam “tirar proveito” dessas redes sem pagar nada. Sobre as demais redes, eu não uso spotify, nem deezer, nem itunes. Tenho os conteúdos todos publicados apenas no bandcamp …”

LINK: https://plainsong.io/artist/222/cum-mortuis

Thiago Halleck, músico e produtor (Gangue Morcego/Das Projekt)

“… Fiz uma limpa nos meus seguidos e seguidores, deletando perfis repetidos, perfis de loja, perfis de gente que me seguia por seguir etc., a fim de estreitar um pouco o meu algoritmo. De resto, tenho tentado manter uma boa frequência nas postagens e explorar todas as ferramentas que o Instagram dispõe. Quanto ao Facebook, eu já desisti e nem uso mais.

Muito difícil sugerir algo. Acho que a pandemia deixou tudo muito concentrado nas redes e as pessoas estão saturadas de tanta internet. As lives vieram com força no começo, mas agora já observo muita gente de saco cheio. Talvez, quando as atividades realmente voltarem ao normal, essa situação amenize um pouco. É meio vago, mas acho que a união entre os artistas e uma parte mais engajada do público é o que tem segurado as pontas. De resto, é observar o que os outros têm feito e que tem dado certo para eles e que pode ou não ser replicado, visto que o caso de cada um é o caso de cada um; manter a produtividade; e não se fechar a tentar manobras diferentes e sair da zona de conforto. Às vezes, a gente fica com as ideias muito presas a questões de nicho etc. Por toda parte, pode haver públicos em potencial, artistas legais de se trabalhar etc …”

LINK: https://plainsong.io/artist/152/halleck

Augusto Batcave, músico (Lost Lenore/Miss Fortune Deep)

“… Tínhamos um alcance orgânico não tão limitado, onde se podia alcançar através de compartilhamentos grandes números de pessoas, claro, sem pagar nada por isso. Hoje vejo que as redes tem tido um interesse maior em ganhar mais com isso, limitando e tornando a vida do pequeno artista principalmente, mais difícil. Para mim, que tenho projetos novos, é bem difícil conseguir divulgar meus trabalhos, ultimamente tenho até recorrido a influencers, na tentativa de ter um alcance maior e melhor nos meus materiais.

Hoje tudo está modernizado, praticamente chegamos ao fim da era da fita, CD, vinis e afins, claro que existe, e isso tem ficado muito para colecionadores, uma vez que as pessoas tem acesso a plataformas de streaming que lhes proporcionam com um toque de dedo em qualquer lugar ouvi-los, porém até mesmo para fazer com que as pessoas vejam nosso material, tem todo um processo de divulgação, e afins, e nem sempre temos grana pra investir tanto na produção do material, como no impulsionamento em todas as redes, então a gente acaba sendo dependente dos amigos para compartilhar ou enviar para um colega, amigo e etc.

É isso: acredito que apesar do fácil acesso às mídias digitais hoje, com materiais disponíveis gratuitamente para consumo, somos muito limitados, e acima de tudo o artista como a gente, sem tanto recurso, mesmo com um material tendo uma boa produção, somos afetados de todas as formas …”

LINK
https://plainsong.io/artist/58/misfortune-deep
https://plainsong.io/artist/36/lost-lenore

O assunto é pungente e quente. Mas, fato é que a realidade bate em nossa porta e as redes aí estão para ajudar e impulsionar quem entende e percebe seu público. Ou outros públicos. Resta remar para o lado desejado. A conferir…

Meus Links.
www. plainsong.io/https://plainsong.io/artist/208/leo-rocha-leozito

www.internovaradio.com.br Internova Radio

www.chehebe.blogspot.com Blog Leozito (Léo Rocha)

Written By

Leozito Rocha, carioca, 45 anos, Flamenguista, carioca, editor e produtor do "O Som do Leozito" na Internova Radio, blogueiro, escritor e redator. Fundador da Noramusique e colaborador DJ.

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