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Leozito Rocha

O som ensurdecedor e o clássico pós-punk de “The Au Pairs” na Plainsong

The Au Pairs foi um quarteto inglês bastante famoso em sua terra nos anos 80. A fertilidade deles compreendeu-se entre 78 e 83. Dois discos de estúdios lançados e alguns singles. Até a distribuição de gênero era equilibrada: duas mulheres e dois homens. Um som que aproximava-se do pós-punk e lembrava Gang Of Four (sobretudo na cozinha) e Talking Heads. Eu diria muito mais… Acho que o charme da banda estava na voz de Lesley Woods (cantora afinada) e na elegância das canções. Um flerte com o jazz (ritmo e os sopros incorporados) e o minimalismo. Tem gente que enxerga até uma ponte com os B-52’s do outro lado do oceano. Mas, fato é que peguei essa deixa para falar do álbum de estreia lançado em 81. “Playing with a Different Sex” completou quarenta anos em maio desse ano.

E, segue sendo algo relevante. Um clássico. Vejo pouca gente falando sobre o trabalho supracitado. Cada vez que escuto algo novo e iniciante penso nesses discos de estreia do passado. Esse aqui é sublime. Imagine pegar um disco desses e ouvir no talo coisas como “It’s Obvious”, “Set Up” (uma das minhas prediletas) ou “Headache for Michele”? Coisa muito fina. Uma guitarra insinuante, crua e criativa. Tudo ambientado com a famosa cozinha empolgante. A versão deles para “Repetition” de Bowie é espetacular. Quase uma bossa… “Dear John” é outro petardo fantástico. A vontade é de sair dançando sem destino ou tempo. “Come Again” e “We’re So Cool” (faixa de abertura) – duas faixas com letras provocantes falando de relacionamento aberto, sexo e violência doméstica. Assuntos delicados, já abordados por eles, bem antes da cúspide.

Soma-se aí a época de Margareth Tatcher e o cenário de busca de direitos, igualdade de gêneros, etc. Lesley Woods e Jane Munro (vocalista e baixista, respectivamente) representavam, inclusive dentro punk, o grito das mulheres. A postura e crítica já começava com o nome da banda (pesquise depois). A capa desse disco de “Eve Arnold” (fotógrafa e ativista) era outra pista do que viria em termos sonoros. As letras não poupavam sociedade e indústria concomitantes. Temas sexuais, obscuros e polêmicos eram escancarados em cada faixa do disco. Foi ensurdecedor na época.

Se você nunca ouviu esse disco faça esse favor a si. É absurdamente bom. Muito bom! Fundamental, eu diria. 

 A produção foi de Ken Thomas, Martin Culverwell e da própria banda. Ken trabalhou com Dave Gahan (Depeche Mode), Wire, PIL, Sigur Rós e foi também engenheiro de som no excelente “Life’s Too Good” – disco de estreia do Sugarcubes. Ouça no talo!



"The Au Pairs" na Plainsong!
https://plainsong.io/artist/211/the-au-pairs

 

CURIOSIDADES

1) Uma revista alemã da época nazista, “Sonne Ins Haus” realizou um concurso para escolher a mais bela criança ariana. O ano era 1935. Inúmeras fotos foram mandadas e selecionadas. Homens da alta cúpula de Hitler escolheram a dedo as crianças. Quem venceu foi a bela Hessy Taft. Ela tinha 10 para 11 meses de vida. A história seria linda se não fosse por uma pegadinha: ela era judia. Os pais de Hessy mandaram a foto como forma de ironia e revanche. Resultado: ganharam a eleição. Naquele ano – a criança mais ariana foi uma JUDIA. Atualmente, Hessy vive em Nova York aos 87 anos e é professora de química?

2) Em 1958, nasce o “macarrão instantâneo” (Lamen) no Japão. A proposta do prato rápido surgiu das filas enormes para comprar alimentos no vácuo da 2ª Guerra Mundial.

3) Você sabia que os sobrenomes só surgiram no século XIV? Os antigos forneciam apenas seus nomes. Na China, única exceção, já utilizavam sobrenomes, mas a Europa só foi utilizar a partir de 1370. No começo – era privilégio concedido somente aos ricos e nobres.

SPOILER

Do inglês: estragar. A palavra “spoiler” pegou carona na conectividade e é uma das mais usadas desde então. Mesmo quem não sabia o sentido “léxico” do verbo sabia do que se tratava. O ato de fazer o spoiler configurava em estragar a surpresa de um filme, um livro ou uma série. Antecipar um segredo ou um final de um seriado. O famoso desmancha-prazeres. Contar o final ou parte do filme para alguém que não viu é spoiler. De muitos significados e locais que procurei, o termo se aplica a cultura. Tentei fazer um paralelo com outras áreas, mas não fez muito sentido. Exemplo: o fato de contar a alguém o final de um jogo (se esse é sabido por muitos) não estraga absolutamente nada. Inclusive, as pessoas perguntam: “E aí, quanto foi o jogo?”… Complicado demais alguém gravar um jogo e se isolar para assistir sozinha. Pode acontecer, porém não é considerado “spoiler”. Na política – idem. Ninguém fica triste se alguém contar algo inédito no cenário. Ao contrário: é furo! Na economia, nas notícias, nas finanças, etc… Cheguei à conclusão de que o termo faz alusão, de fato, ao audiovisual mesmo. É a origem da gíria. Então, fica combinado assim: não se faz spoiler, pois senão queima o filme! Certo?

Fico por aqui e desejo a todos um ótimo fim e inicio de semana do momento que ler! Vacinem-se.

Links:
https://plainsong.io

Internova Radio
www.internovaradio.com.br 

Blog Leozito (Léo Rocha)
www.chehebe.blogspot.com

Written By

Leozito Rocha, carioca, 45 anos, Flamenguista, carioca, editor e produtor do "O Som do Leozito" na Internova Radio, blogueiro, escritor e redator. Fundador da Noramusique e colaborador DJ.

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